quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Escrotidão além do alcance

E ontem, num momento pós-réveillon, reencontrei o Rei dos Babacas. Não sei como vocês lidam com pessoas do passado, mas meu mundo só suporta duas alternativas:

1. Se a pessoa foi legal, ensinou, aprendeu, trocou etc., eu simplesmente procuro mantê-la limpa em meu peito, mesmo que para isso tenha de fazer cara de paisagem e matar todos os fatos desagradáveis. É difícil, mas ainda prefiro acreditar que vale a pena;

2. Se o ser em questão abusou da minha paciência, da minha boa-fé, da minha delicadeza, destruindo minha auto-estima, ainda sou partidária do bom e velho "até mais ver". Ou seja, não há como manter qualquer espécie de laço com alguém que tem o único e claro objetivo de me fazer mal. Não, não há.

E com o Rei dos Babacas, meus amiguinhos, tive de optar pela segunda alternativa. Afinal, era a minha integridade que estava em jogo. E, por mais que eu não acredite em conceitos que tenham algo em comum com o "mostre-se digna" e o "valorize-se", sou obrigada a dar um basta às vezes. Nada mais racional, certo? Hoje, porém, recebi um e-mail cujo assunto era "Requisição de favor".
Reparem na ironia da mensagem:

"Aproveito a oportunidade para desejar a você, bem como a seus familiares, amigos e sacerdotes, um Feliz Natal e um Próximo Ano Novo.
Mas o que aqui especialmente venho fazer, no entanto, é expressar o ardente desejo de lhe pedir um favor. Qual seja, que na próxima vez em que porventura nos encontremos, você reaja com um pouco menos de efusividade e calor humano no trato com a minha pessoa. Ocorre que em todas as duas ocasiões em que nos vimos nos últimos, sei lá, três anos, o seu excesso de simpatia para comigo acabou por me sufocar um pouco, sabe? E você sabe, eu prezo a liberdade, essa coisa meio cabelos ao vento, manja?
E então, posso contar com a sua cooperação?
Um beijo."

Posso até admitir que realmente não fui nem um pouco simpática com o indivíduo nos tais reencontros. Também admito que, se pudesse, gostaria bas-tan-tão de não tornar a vê-lo. Mas a vida prega peças, a sorte dá rasteiras, e São Paulo não passa de um grande quintal. Sendo assim, por que cargas d'água ele espera que eu mude minha forma de (des)tratá-lo? Ora, se ele se esqueceu de tudo o que fez para mim, não posso fazer absolutamente nada. Não tenho o menor ímpeto de refrescar sua memória, mas também confesso que não me sinto suficientemente santa para simplesmente passar uma borracha no assunto e agir como se nada tivesse acontecido. E lamento muito caso alguém tenha, aqui, a infeliz impressão de estar lendo o texto de uma pessoa recalcada que expõe, sem piedade, a fragilidade de outra. Não. Não mesmo. O Rei dos Babacas só recebeu este título porque - acreditem ou não - me expôs muito mais.

4 comentários:

MegMarques disse...

Uai, ele devia se dar por satisfeito de vc ao menos cumprimentar.
Eu sou mais grossa. Não dou nem bom dia aos desafetos do passado. Finjo que não conheço e passo adiante com o nariz empinado.
bjos

Graça disse...

REI DOS BABACAS!
asnfaldnfadncvadvnadnvad!!! Esse é um dos melhores blogs que já li.... adorei!
Quanto aos homens, quem os entende? Os meus eu classifiquei em 3 grupos: os que merecem boas lembrancas, os que merecem esquecimento e os que merecem a morte. O ultimo tem 1 individuo só e pra ele eu faço voodoo toda noite de lua cheia. deve ser parente do Rei dos Babacas.... vai ver eles disputaram o trono em algum momento da vida... hahahahahasha

Thiago disse...

Amo vc! Amo seus textos! Escreva mais, porra!
Juliana forever fan clube oficial edição extra.

liloca disse...

na minha opinião, a melhor parte foi "um Próximo Ano Novo."