sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Se segura, Juju

Pré-30. Na veia, no inferno astral, no rosto-já-nem-tão-novo. Perdi o viço e a pose. Mas o que mais me incomoda, mesmo com inúmeras outras perdas, é ainda não ter amadurecido em alguns pontos.
Amadurecer, saca? Fingir que assuntos de terceiros nada têm a ver comigo, preocupar-me somente com o que diz respeito a mim, viver uma vida plena de “eus”, sem me importar com “tu”, “eles” ou “nós”. Maldito espírito de equipe! Valeu, time, mas estou sozinha nessa. E já passei do ponto, se vocês querem saber. Pois sempre cometo o mesmo erro de me impor como A Guardiã da Grande Verdade, mas esqueço que o papel de El Justiciero deve ter saído de moda lá pelos anos 90.
Esse misto de Kate Mahoney e Rambo, efetivamente, não está com nada.
Que venham os 30, e, se não for pedir muito, que eles me tragam a certeza de que, como uma boa ariana, sou muito melhor em esportes individuais.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Vulgarizando

Quando me mostraram o site Pérolas do Orkut, passei dias e dias gargalhando. Porém, depois de encontrar fotos de crianças com faca, adolescentes pagando de Tropa de Elite, mocinhos que tiram foto de cédulas de cem reais e mulheres seminuas, fiquei chateada.
O brasileiro sempre gostou de aparecer e sempre teve um orgulho (pra lá de questionável) de sua gana, de seu jeitinho. Foda-se. O incômodo que senti ao ver determinadas fotos superou todas as minhas piores expectativas.
Mas ainda gosto de gente com ziriguidum, de texto com ritmo, de samba. Afinal, preciso sempre ultrapassar este ranço de preconceito que me faz, inúmeras vezes, sentir vergonha de ser brasileira.
E bota vergonha nisso...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Velhice é a melhor viagem

Esqueçam as outras drogas, porque o tempo, sim, é a melhor de todas. Você perde a noção do ridículo e abre mão daquela inibiçãozinha tacanha que não ajudava em nada. Com as roupas, com os modos, com os outros. É uma chuva de “foda-ses” que lava a alma e libera lados que, até ontem, você fazia questão de trancafiar.
Dançar na rua com o seu iPod? Pode. Beber além da conta sem medo de pagar de mamãe-não-quero-crescer? Também pode.
Só não pode, obviamente, manter os mesmos padrões estúpidos que aos 20 anos pareciam tão importantes.
Não há etiqueta melhor que a liberdade.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

De uma pessoa muito, mas muito próxima

-Em Londres, todas as pessoas que passam seis meses sem sexo ganham TVs de tela plana. Se morasse lá, eu já teria seis.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Sortudinha da Estrela

Perto da porta de entrada do trabalho, você escorrega no óleo de uma Kombi e cai de joelhos no chão. Na semana seguinte, você descobre que possui uma inflamação em um nervinho da coluna. E quando, à custa de muito antiinflamatório, você se livra das dores, participa de uma batida de carros, fodendo, de uma única vez, o tórax e os joelhos. Só para não se fazer de rogada.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Noja

Eu encabeço a seletíssima OPAM. Somos seres dotados de higiene, noção e respeito, e, por conta desses pequenos detalhes, sentimos nojo de metrô. OPAM, portanto, é a Organização das Pessoas com Asco de Metrô. Principalmente dos ferros...
Basta olhar com um pouquinho de cuidado para notar a presença de digitais ensebadas, restos de frango, ranho de criança e congêneres.
E não ousem imaginar que sou da laia de lá, não. Pois tampouco me enquadro na turma das moçoilas que possuem mais frescuras do que opiniões.
O problema é que, há cerca de um ano, passeando pela mágica linha Palmeiras/ Barra Funda – Corinthians/ Itaquera, fui vítima de um pingo de suor alheio.
Uma gotinha de água salgada que, até hoje, faz meu estômago tremer.

Sem mais

“Deixa você passar dos trinta, trinta e cinco, ir chegando nos quarenta e não casar e nem ter esses monstros que eles chamam de filhos, casa própria nem porra nenhuma. Acordar no meio da tarde, de ressaca, olhar sua cara arrebentada no espelho. Sozinho em casa, sozinho na cidade, sozinho no mundo. Vai doer tanto, menino. Ai como eu queria tanto agora ter uma alma portuguesa para te aconchegar ao meu seio e te poupar essas futuras dores dilaceradas. Como queria tanto saber poder te avisar: vai pelo caminho da esquerda, boy, que pelo da direita tem lobo mau e solidão medonha”.
(Caio Fernando Abreu, “Dama da Noite”)

Do lar, mas nem tanto

Moça prendada sabe desfiar frango, cortar pimentões e maçãs em cubinhos, fazer a cama e pendurar cabides de toalhas.
Moça prendada sabe isso e muito mais.
Mas não sou prendada. Nem tão moça assim...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Assunto?

Aos 20 anos, eu namorava um moçoilo chamado Tiago. Mas, como sou muito inventiva e simpática, costumava apelidá-lo de Tiaga. E quando se comportava muito, mas muito bem, ele era promovido para Tiágara Falls. Sim, sempre fui adepta de novas denominações. Não, ele não ficava feliz com isso.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

"Mudou-se de casa e usou regata"

Este será o título do meu filme. Uma releitura vigorosa, corajosa e moderna do acla-ma-dís-si-mo “Matou a família e foi ao cinema”. Bonito à beça, não? Também acho, amiguinhos, também acho. Mas sei que, conforme venho tagarelando há quase um ano, os 30 estão logo aí. E não há nada como tomar uma altíssima dose de vergonha na fuça. Por conta disso, saí do lar, doce lar há quase uma semana. Sim, senhores! Eu sou o orgulho da mulher brasileira. E tem mais: apesar de odiar meus braços – afinal, todos têm o direito de odiar aquilo que bem entendem –, fui obrigada, por este calor infernal, a abandonar os casaquinhos. É óbvio que, se pudesse, optaria pelo múmia-style. Mas a sociedade, preconceituosa que é, jamais aceitaria algo tão arrojado.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Mas tudo continua quente

“(...) e toda essa merda educada que as pessoas costumam dizer para colorir a indiferença quando o coração ficou inteiramente gelado.”
(Caio Fernando Abreu, “Os Sapatinhos Vermelhos”)

Sentimentos são grandes arapucas que não nos levam a nada-lugar-nenhum. Bom mesmo é bater no peito e seguir em frente. Machice. Pau. Nada de ser o que sou só porque assim me sinto bem. Só porque um dia li que a poeta se despedaçava e se sentia íntegra e serena. Cansei de me despedaçar. Cansei de juntar caquinhos. Cansei de acreditar desacreditando. Mas é tudo mentira. Juntar caquinhos é a minha especialidade. E o trabalho envolve tanta precisão que, após pouquíssimo tempo, nem parece que algo foi quebrado. Talvez olhando muito de perto as pessoas encontrem uma porção de rachaduras. Mas pouco importa. Afinal, quem se aproxima está (ou deveria estar) disposto a enxergar os detalhes.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Entendi tudo

Plural dá azar. Só pode ser isso!

Escrotidão além do alcance

E ontem, num momento pós-réveillon, reencontrei o Rei dos Babacas. Não sei como vocês lidam com pessoas do passado, mas meu mundo só suporta duas alternativas:

1. Se a pessoa foi legal, ensinou, aprendeu, trocou etc., eu simplesmente procuro mantê-la limpa em meu peito, mesmo que para isso tenha de fazer cara de paisagem e matar todos os fatos desagradáveis. É difícil, mas ainda prefiro acreditar que vale a pena;

2. Se o ser em questão abusou da minha paciência, da minha boa-fé, da minha delicadeza, destruindo minha auto-estima, ainda sou partidária do bom e velho "até mais ver". Ou seja, não há como manter qualquer espécie de laço com alguém que tem o único e claro objetivo de me fazer mal. Não, não há.

E com o Rei dos Babacas, meus amiguinhos, tive de optar pela segunda alternativa. Afinal, era a minha integridade que estava em jogo. E, por mais que eu não acredite em conceitos que tenham algo em comum com o "mostre-se digna" e o "valorize-se", sou obrigada a dar um basta às vezes. Nada mais racional, certo? Hoje, porém, recebi um e-mail cujo assunto era "Requisição de favor".
Reparem na ironia da mensagem:

"Aproveito a oportunidade para desejar a você, bem como a seus familiares, amigos e sacerdotes, um Feliz Natal e um Próximo Ano Novo.
Mas o que aqui especialmente venho fazer, no entanto, é expressar o ardente desejo de lhe pedir um favor. Qual seja, que na próxima vez em que porventura nos encontremos, você reaja com um pouco menos de efusividade e calor humano no trato com a minha pessoa. Ocorre que em todas as duas ocasiões em que nos vimos nos últimos, sei lá, três anos, o seu excesso de simpatia para comigo acabou por me sufocar um pouco, sabe? E você sabe, eu prezo a liberdade, essa coisa meio cabelos ao vento, manja?
E então, posso contar com a sua cooperação?
Um beijo."

Posso até admitir que realmente não fui nem um pouco simpática com o indivíduo nos tais reencontros. Também admito que, se pudesse, gostaria bas-tan-tão de não tornar a vê-lo. Mas a vida prega peças, a sorte dá rasteiras, e São Paulo não passa de um grande quintal. Sendo assim, por que cargas d'água ele espera que eu mude minha forma de (des)tratá-lo? Ora, se ele se esqueceu de tudo o que fez para mim, não posso fazer absolutamente nada. Não tenho o menor ímpeto de refrescar sua memória, mas também confesso que não me sinto suficientemente santa para simplesmente passar uma borracha no assunto e agir como se nada tivesse acontecido. E lamento muito caso alguém tenha, aqui, a infeliz impressão de estar lendo o texto de uma pessoa recalcada que expõe, sem piedade, a fragilidade de outra. Não. Não mesmo. O Rei dos Babacas só recebeu este título porque - acreditem ou não - me expôs muito mais.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Diálogo entre minha irmã e minha afilhada

-Mari, vem conversar no telefone. É a Branca de Neve que tá na linha.

-A Branca de Neve?

-É, mas é uma Branca de Neve que bebe.

-Então é a tia Ju!

domingo, 2 de dezembro de 2007

Sinceridade?

Ainda não consegui engolir o filme sobre Edith Piaf. Entalou. E isso ocorreu justo agora, neste momento em que eu deveria me mostrar aberta às mudanças.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Tudo bem

Não darei conta de vomitar os últimos acontecimentos – nem quero –, mas afirmo que a vida vai bem. Hoje, principalmente. E a sensação surgiu no metrô, quando um menininho de 2 anos “estabeleceu contato” comigo. Ele era feio até dizer chega. Branquinho, orelhudo, esquisitinho. Mas sorriu. E eu derreti. Ficamos trocando olhares risonhos até as Clínicas. Então ele acenou e mandou um beijo. Mandei outro, e tivemos tamanha cumplicidade em nossos atos, que, se restasse algum hormônio minimamente maternal em mim, eu teria sido a autora de um seqüestro. Quando cheguei ao trabalho, peguei uma xícara de café, fumei meu cigarro e li o que o Jabor escreveu sobre Proust. Tudo assim, bem simples, calmo, moderado. Mas eu não me incomodei, porque estou passando por um momento igualmente simples, calmo e moderado. Continuo me apaixonando todas as semanas, não perdi a impulsividade dos arianos torpes, bebo além do socialmente. Mas algo em mim relaxou. Sentiu preguiça, caiu no chão, e parece que não sairá de lá enquanto não houver necessidade.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Dia de circo

Hoje tem palhaçada? Tem, sim, senhor. Hoje tem marmelada? Tem, sim, senhor. E o palhaço, o que é? É ladrão de mulher! E foi assim que passei minha quarta-feira. Porque descobri que a pior espécie de ser humano não está nos semáforos expondo crianças recém-nascidas ao sol enquanto pede dinheiro, tampouco se encontra nas cidades do interior do interior do interior beijando criancinhas e comendo buchadas a fim de receber um par de votos. Não. O pior da humanidade está no pronto-socorro mais próximo de você, meu irmão. E foi lá no Santa Catarina que cheguei a esta brilhante conclusão. Quem não chora, não mama, e todos lá pareciam levar tal ditado ao pé da letra. Funcionava assim: chorou, berrou, simulou desmaio? Avance duas casas (ou melhor: fure a file e deixe dois idiotas para trás). Para ser sincera, eu adorei - sem ironias - assistir àquele festival de carões, cabeleiras ao ar, dignidades no ralo. Parecia meio de novela mexicana, quando os mocinhos só se fodem e são fodidos. Eu gargalhava, minha mãe me cutucava, e pessoas que chegavam mancando e chorando iam embora n-o-r-m-a-i-s, como se nada tivesse acontecido. Eu, mancando? Imagiiiiiiiiiiiina!
Enquanto isso, no Reino das Pessoas com Noção, mantive a pose, vomitei no banheirinho - sem alardear -, e ainda consegui um rotavírus para chamar de meu.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Sou um transformer

Em questão de segundos, eu deixo de ser a Moranguinho e me transformo em um caminhão de lixo.

No peito

Eu tenho um buraco no peito. Uma espécie de vazio que dói. Uma estupidez semeada. Pela milésima vez - e isso já soa repetitivo -, cultuei a desilusão. O processo é simples e eficaz. Basta fazer tudo errado, mostrar seus piores lados e sentir que, não importa o que seja feito, você sempre estará atrapalhando, importunando.
Eu sou um buraco.

domingo, 16 de setembro de 2007

Desistir

"Minha verdade espantada é que eu sempre estive só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade de solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo minha solidão. Que às vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa glória intíma que na solidão pode se tornar dor. E a dor silêncio. Guardo o seu nome em silêncio. Preciso de segredos para viver." (Clarice Lispector, "Água Viva")
Nome guardado em (ou no?) silêncio. Segredos para viver. Porque, quando o medo vence e você estraga tudo, esse passa ser o único caminho digno. E eu, que nunca fui fã da dignidade, ofereço a minha agora. Toma, fica com ela. Nunca precisei disso. Sou adepta - pela milésima vez - da vertente dos que não enxergam nada de bom na dignidade. Ela nunca encheu barriga, nunca soube amar. Se ofereço a minha e passo a utilizá-la com você, só o faço por respeito. Por saber que, infelizmente, é isso o que você espera de mim. Minha triste, solitária e respeitosa dignidade.
Nunca me importei com os outros, e vivi nesse paradoxo todos os meus erros. Sempre cometi os mais grotescos erros partindo disso. Para mim, os outros não tinham nada a ver com eles. Mas, na minhã seguinte, era neles que eu pensava. Nos outros, e não nos erros. Não posso entregar esse texto, não posso querer partilhar isso. Mais uma vez, minha triste, solitária e respeitosa dignidade que engloba desde o "não seja infantil" até o "saiba o momento de parar". Parece brincadeira. Piada sem graça, mesmo. Sempre agi como uma criança impulsiva. E largar isso é pisar num terreno novo. Muito novo. Já optei. Já desisti. Ofereço minha dignidade, e deixo a beleza daquilo que eu poderia ser (sim, eu vejo beleza naquilo) para a lembrança de tudo que não pude demonstrar. Mas vou parar por aqui. Não quero acreditar que a discrição seja a melhor coisa que uma mulher pode apresentar. Lutei muito pelo oposto. Levantei todas as bandeiras. E continuei sozinha. Eu, minhas dores, minha certeza de estar optando pelo certo. Sempre acreditei que "ser mulher" deveria ser algo muito mais profundo do que a mera discrição. Sempre pequei pelo excesso. E nada.
Pois bem, pela primeira vez eu prometo parar. Já parei e desisti muitas vezes. Mas sempre sabia, lá no fundo, que não havia mais sentimento em mim. Desisti por saber que o copo estava vazio, e que eu ainda sentia sede. Eu e meus clichês. Agora, não. Desisto sabendo que as coisas poderiam ser diferentes. Desisto gostando, se é que se pode dar esse nome às coisas que sinto. Sem mensagens no celular, sem e-mails impertinentes, sem grandes gestos impensados. Fim. Dignidade não procurada. E dói demais ser digna. Mas esta é a minha promessa. Por respeito a você. Não a mim.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Estupidez

Não. Não posso escrever sobre coisas bonitas se não tenho conseguido tempo/ juízo para vivê-las. Desculpe. De coração. Se pudesse, usaria todas as cores do mundo para dizer que estou bem, lúcida, calma. Mas seria uma mentira infantil, e minhas mentiras são sempre mais adultas. Só sei ser infantil sem mentir. Mas digo que deveria ser crime. Inafiançável. As pessoas teriam a obrigação de respeitar certos limites de impulsividade. Se ultrapassassem, seriam presas. Eu, por exemplo, estaria mofando atrás das grades a uma hora dessas. Prisão perpétua. E isso não tem nada a ver com arrependimentos, não. Só acho que meu ritmo é esquizofrênico. E estou me tranformando naquele tipo de gente - medo - que não filtra o que diz, faz, sente, pensa.
Para ser sincera, dá até vontade de voltar a amargar. Afinal, os amargos são, no mínimo dos mínimos, muito mais bem-resolvidos. E - vejam só! - são infantis somente quando mentem.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Terapia

Nesta quinta-feira, a bruxa que não foi convidada para a festa da Bela Adormecida agiu. E venceu a fadinha do bem. Mas ainda existem os cem anos de anistia. E ainda encontrarei, sim, o meu perdão. Mas não há como explicar tudo isso. Leiam a historinha e sejam felizes. Quem me contou foi meu psiquiatra-psicólogo-salvador que, num ataque de bom senso supremo, chegou à conclusão de que tenho todas essas personagens dentro de mim. E a bruxa má nada mais é que aquela que prega o autoboicote.
Entendam: meu pai sempre me disse que, a cada tentativa, o mínimo que temos é o "não". E eu, pra lá de burra, sempre considerei o tal do "não" o único território viável. Enfim...

domingo, 19 de agosto de 2007

E o fel está se dissolvendo...

Mas estou brava, meu povo. Estou ariana-muito-ariana. Estou o Medo da Mulher Brasileira. E tenho deixado o Roberto Carlos no repeat, só pra ver no que dá. Afinal, ele também é ariano, tem TOC e acredita no amor. O que me resta? Preencher o terceiro quesito e ir à forra.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Questão de escolha

Não, não, não. Não quero amargar para sempre. Quero é ser a tia-avó louquinha, que vive com mil cães, mil dúvidas e muito amor.
Quero o coração batendo b-o-n-i-t-o, os olhos piscando felizes e o fel se dissolvendo. Simples assim. Portanto, por mais que a Senhora Ironia teime em fazer parte deste momento, prometo não ceder. E espero que tudo isso chegue logo, logo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Vai um pastelzinho aí?

Sim, tive um final de semana digno de pastelões Classe Z. Me senti o Dedé Santana. Principalmente quando fui almoçar no Sujinho, pedi umas 500 pimentas e, na hora de cortá-las, consegui - é preciso ter dom, moçada... - acertar o olho da garota que eu havia acabado de conhecer. Quase ceguei a menina. Isso me remeteu a uma cena muito bonita, também protagonizada por mim, é claro. Há dois anos, eu estava assistindo a um showzinho de rock, e o guitarrisca, todo-gracinha, tacou a palheta na platéia. Adivinhem onde ela foi parar. Isso mesmo! No meu olho.
Sê forte, Juliana. Sê forte para ser inteira. Você precisa. Você pode.

domingo, 29 de julho de 2007

...mas pode me chamar de Euclides

Quando um amigo diz que você tem "voz de Maria Zilda", algumas coisas merecem ser repensadas, certo? Façamos isso, então:
1. Pare de fumar fumando, pare de fumar dormindo, pare de fumar da maneira que bem entender. Mas pare.
2. Assuma-se. Diga que você mudou de sexo há pouco tempo e que, embora os seios pareçam naturais e a altura ajude, sua fonoaudióloga, que é malcomida, baranga e infeliz, se recusa a passar exercícios vocais que afinem a voz por meio de falsetes (aquela vaca invejosa diz que não é saudável).
3. Explique que quando a Zildinha passou por alguns problemas, tiveram de encontrar uma dublê de voz, e que, com isso, você ganhou rios e rios de dinheiro. Diga que, além dela, você também imita o Belchior, o Pereio, o Walmor Chagas, o Vereza e o Rubens de Falco.
4. Dê-lhe um murro bem dado.
5. Aceite e siga. Afinal, mais vale uma Zildinha na voz do que dez mil taquaras. Ou não?

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Análise sensatinha

“Às vezes, me sinto como se estivéssemos todos presos num filme. Sabemos nossas falas, onde caminhar, como atuar, só que não há um câmera. No entanto, não conseguimos sair do filme. E é um filme ruim." (Charles Bukowski)

Sim, o filme é ruim. A personagem principal beira o ridículo, e às vezes parece pateticamente caricata. O cenário também não ajuda. E a verba... ah, a verba...
Mas o que realmente importa é que filmes ruins costumam ter finais felizes. E a gente paga pra ver.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Full hand, só que de merda

Pois é, meus amiguinhos. Descobri que meu talento para a jogatina fugiu de mãos dadas com a dignidade. E eu, que não jogava pôquer há pelo menos uns cinco anos, não me lembrava dessa minha "inaptidão". A grande cagada é que encabeço, com orgulho, o clã dos pertencentes ao signo* menos desenvolvido do zodíaco e, por conta disso, amo uma competiçãozinha. Vamos ver quem berra mais alto? Opa! E lá está a Juliana soltando o gogó. Sempre foi assim. Mas ontem fui capaz de sacar o porquê dessa minha falta de tino. Simples: faltou Capitu e sobrou Cabiria. Não, meus amores, eu não sei dissimular. Eu sou a débil mental que recebe cartas ruins e faz cara de bunda. Na mesmíssima hora! E, se as coitadas vêm bonitas e certinhas, bato palmas, sorrio, dou cambalhotas. Praticamente uma foca. Negação, seu nome é Juliana.
Depois de ter perdido três cacifes em tempo recorde - e de perceber que as pessoas já começavam a demonstrar uma espécie de compaixão doentia pela minha pessoa -, resolvi beber cachaça. Afinal, as imagens de bêbado e perdedor sempre casaram muito bem. Só que, lá pela terceira dose, as coisas começaram a melhorar. Passei a falar mole, a piscar devagar, a manter aquela não-velocidade necessária para que eu deixasse de ser a pessoa mais transparente e crédula do mundo. Ou seja, consegui reaver dois cacifes, banquei a Capitu bebum, e ainda garanti o futuro da minha cirrose. Or-gu-lho.
A única decepção ocorreu hoje, já que acordei tão Cabiria quanto antes e com uma baita de uma azia.


*Pai do céu! Está comprovada a minha capacidade de enfiar o signo em todos os assuntos. "Eu só bebo assim porque sou ariana, e todo ariano é impulsivo";"Te chutei? Desculpa, é que eu sou ariana".

Amor-próprio?


Dominguinhos
Originally uploaded by coração circense

Essa, sim, é a cara de quem sabe o que está fazendo!


Uma iniciativa da Campanha Óculos, nem Pensar em homenagem a todas as mulheres que, mesmo beirando os 30, ainda não acreditam nos benefícios que armações e lentes podem trazer.

sábado, 16 de junho de 2007

No entanto, que espiritual você me dar uma rosa

-Oi. Posso sentar?
-À vontade.
-O que você tem?
-Como assim?
-Eu vejo que você não tá bem.
-Amarguei. Acontece.
-Oi?
-Amarguei.
-Triste?
-É... Amarguei. Já disse.
-Qual o seu signo?
-Áries com ascendente em virgem e lua em sagitário.
-Você já pensou em cuidar dos seus chacras?
-Hmmmmmmm... Não?
-Eu sou radiestesista.
-Legal. Eu sou amarga.
-Cuide dos seus chacras.
-Pode deixar.

Você sai depois de passar por uma semana trabalho-casa-trabalho. Até pensa em apelar para o disque-vida, mas o orgulho persiste. Você passa a noite criticando as pessoas que gastam 30 reais para ouvir uma banda tocando Chico Buarque, porque sabe que não são todos que têm 30 reais para gastar com uma banda que toca Chico Buarque. Você vê meninas de cor-de-rosa e plataforma. Vê pessoas tentando burlar as regras para não passar pela fila. Vê garotos vestidos de forma básica. Garotos que têm medo de errar. Você se dispõe a fingir que a vida é uma grande festa, mas prefere acreditar que não foi convidada. Você dá uma de recatada-sorridente e resolve se sentar em um cantinho seguro. Chega, então, um sujeito qualquer que decide salvar sua vida. Não, obrigada. Mas ele insiste. E se propõe - o mundo é dos altruístas! - a demonstrar que as coisas podem ser menos doídas. Você - o mundo é dos resignados! - deixa que ele fale. Afinal, deve haver algum palco invisível, e os holofotes só acendem quando há um público disposto a crer que existe um artista. Mas você sabe que amargou. Sua amiga também sabe. E é bem provável que, a essa altura, os vizinhos dela já tenham comentado algo a respeito. Que tal? Então é melhor que dancemos. Assim. Como se fosse a primavera.
Mas murchei. E não sou tanto.